quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Eu juro. Você não precisa acreditar em mim, mas eu juro que estou fazendo o meu melhor. Estou indo o mais longe que posso ir dentro de mim mesmo - o mais fundo - mas sem tentar perder a esperança. Eu juro, juro que nada foi em vão. Mais pra mim do que pra você. A questão é que eu tenho finalmente chegado no fundo disso tudo, a 9.46Km de profundidade, e visto o quão ainda falta descer. Você não precisa acreditar. Só leia isso, e veja o quão eu estou tentando. Só leia isso e saiba que eu não vou mais embora. Só leia isso, e não entenda, e não pense a respeito. Porque por mais que seja infantil, tudo o que eu quero é isso. Por favor. Só leia.

- Eu tenho feito algumas escolhas ruins, mas vou me redimir hoje, tio.


Me desculpa.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Efémero

Eu sinto o tempo inteiro uma angustia que não termina. Sinto o tempo inteiro como se houvesse algo a fazer, trabalho a ser feito, alguma coisa que pudesse me tirar daqui, ou deixar tudo menos pior. Eu sinto o tempo inteiro um impulso muito forte de voltar aqui sempre. De escrever sobre tudo e todos os furacões que passam na minha cabeça, na esperança de que isso vá tirar eles daqui ou pelo menos deixar registrado, para que não tenha sido em vão. Para que não tenha sido efémero e não vá ser esquecido, como eu tenho tanto medo de que seja. Tenho medo de que tudo o que eu passei, no instante em que eu siga em frente fique pra trás, seja esquecido e levado junto com a correnteza. Tenho medo de que eu vá me esquecer de tudo o que eu passei, e mais tarde tenha que reviver de novo pra lembrar.
Ao mesmo tempo, eu sinto como se a coisa que eu mais me orgulhasse de ter feito nesses últimos tempos todos fosse justamente isso. O registro que eu tenho deixado encadernado e que digito em tinta preta. Que eu deixo guardado o tempo inteiro, e que escrevo de vez em quando. Porque eu sinto que é esse o legado que esse meu último ano inteiro deixou para me lembrar. Porque sou inteiramente eu, e as páginas são tão confusas e sem nexo quanto eu nesses últimos tempos. Porque eu estou há muito tempo confuso e sem nexo, e ter algo que me traduz me deixa no mínimo um pouco mais compreendido, mesmo que quem me compreenda (ou não) seja, afinal de contas, eu mesmo.
Mas eu tenho resistido à tentação. Porque eu sei que não vai adiantar nem vai me redimir em nada, e porque eu sei que só vale a pena escrever sobre o que for quando for sincero, e quando for sincera a vontade de escrever. Tenho tentado colocar pra fora tudo o que eu sinto de outras formas, mesmo que essas eu saiba que são fracas, e que correm o risco de serem esquecidas ao longo do tempo.  Porque a mente humana é fraca e esquece, mas às vezes as coisas não são feitas realmente para serem lembradas. Por que nem tudo dá pra guardar num potinho e levar consigo pelo resto da vida. Ás vezes é melhor que as deixemos no lugar onde surgiram, e seguir em frente mesmo assim.
E eu senti, no último dia ensolarado que teve essa certeza. Que não importa o que aconteceu depois, nem se tudo o que houve foi documentado e expresso. Porque seguimos todos numa única fileira de encontro ao mesmo destino, e o que já aconteceu vai ficar pra sempre. Mesmo que as promessas sejam quebradas, mesmo que as expectativas desçam ralo abaixo. Qualquer coisa que aconteceu vai ficar pra sempre, e se a mente humana é fraca demais pra lembrar, estará registrado pra sempre no universo. Nas estrelas. No destino do que já passou mas se repete ainda assim. Porque é eterno e é efémero, e é algo que é impossível de ser mudado. E no meio de todos os meus furacões, essa é uma das poucas coisas que eu consigo ter certeza, porque eu senti. Porque a vida é como uma barra de download em movimento uniforme, e nada disso é em vão.
Mesmo que eu ainda não esteja pronto para acreditar plenamente nisso.