Desculpa. A única coisa que eu consigo repetir e sussurrar no meu travesseiro é isso. Desculpa a você, e a todos vocês. Desculpa se fui mal na última prova de Ciências Humanas, e desculpa se eu sei que eu também vou mal na de Matemática amanhã, e mesmo assim estou aqui escrevendo isso. Desculpa por ser tão fraco. Desculpa por não ter conseguido cumprir às minhas próprias expectativas. Desculpa por não ser quem eu sempre quis ser. Desculpa por não ter conseguido colocar o final feliz que eu sempre quis colocar nisso tudo. E desculpa por passar tanto tempo tentando, e mesmo assim chegar aqui e não ter conseguido. Desculpa por ser tão confuso, e se a minha confusão me impediu de fazer o que eu precisava. Desculpa se fui covarde, se não consegui ver. Desculpa se não tive a sacada genial que eu precisava pra sair dessa. Se não consegui cumprir com a minha ideia mais genial, ou fazê-la sair do papel. Desculpa por estar tão distante, e não conseguir de jeito nenhum voltar, porque é tudo o que eu quero, é tudo o que há muito tempo eu quero. Desculpa se eu fui covarde, se eu não consegui nem admitir nem mesmo o medo que eu tenho tanto. Desculpa por ter tanto medo o tempo inteiro, e desculpa por não ser capaz de fazer nada. Desculpa por estar tendo que vomitar essas palavras aqui, pra qualquer pessoa ler e ficar sem entender, mas é só que eu estou tão desesperado e somente não tem ninguém pra me amparar aqui, agora. Desculpa por querer afinal que vejam isso, e desculpa por não ter coragem o suficiente pra falar na cara. Desculpa se eu não consegui fazer a filmagem direito. Se o ângulo não estava bom, se a minha atuação deixou a desejar. Desculpa se eu não consegui, afinal entender o que todo esse tempo você tentou me dizer. Desculpa por não ter entendido nem mesmo o que eu tentei me dizer. Desculpa por ter fingido, e ter mentido tantas vezes pra mim mesmo, e falar com os outros acreditando que eu sabia o que estava fazendo. Desculpa se nada aconteceu do jeito que você esperava, ou do jeito que eu esperava. Desculpa se eu não toco piano bem, e se eu não passo tempo treinando pra isso. Desculpa se eu não estudo, e se ainda assim filei duas aulas hoje de manhã. Desculpa se vocês pagam caro, e eu não dou valor. Desculpa se eu não sei o que fazer com a flor que brotou no meu quarto. Desculpa se eu não sei sobre política o suficiente pra poder votar bem. Desculpa se eu fiz tudo errado, mas eu tenho tentado muito fazer o que é certo. E eu sei que tudo o que eu preciso é ter a certeza de que todos vocês estão aqui comigo. E me desculpem se eu do nada não consigo mais ter essa certeza toda. Desculpem se eu não estive aqui para vocês esse tempo todo, mas é só que eu simplesmente tentei tanto!
Desculpa por não saber o que dizer, e por ter entalado na garganta tanta coisa. Desculpa se não consegui fazer um texto que fosse bom de ler, e que dissesse com mais precisão tudo isso que eu sinto. Desculpa. Desculpa à todos vocês. E principalmente, desculpa à mim.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
O Abismo, A Caverna e A Verdade
Me sinto confuso, mas de uma forma diferente da qual estou acostumado. Sinto não como se simplesmente não entendesse mais nada mas como se, de súbito, tudo o que eu achava que havia para se entender não existisse mais. Ou como se existisse, mas estivesse distante de mim agora, e eu simplesmente não preciso me preocupar. Sinto como se um grande peso tivesse sido tirado da minha cabeça, e agora eu simplesmente não soubesse como reagir à ausência dele. Não como se eu sentisse falta. Como se houvesse um vácuo que eu simplesmente não sei como ocupar, e não sinto uma necessidade disso agora. Como se eu simplesmente não soubesse, e parasse a frase por ai. Não sei. Não sei o que sentir, então não me coloco a responsabilidade de tentar sentir nada. Não sei o que esperar, então não espero nada. Não sei o que fazer, então trato de pôr a comida no prato do cachorro e fazer o que der na telha no meu resto de sábado à noite. Na verdade, sinto que sei de muita pouca coisa nesse momento, e portanto não me coloco a responsabilidade de tentar saber nada mais do que eu de fato sei.
Sei que alguma coisa quebrou dentro de mim. Sei que vejo meu reflexo nos cacos do espelho, e não os entendo. E não tenho a menor ideia se não entendê-los agora é só uma etapa para entendê-los depois, e também não me importo com isso agora. Sei que eu pulei de um abismo, e que não sinto como se já tivesse atingido o chão. Me sinto estático à queda, e com o olhar perdido pela janela do ônibus que pego pra voltar pra casa às terças. Sinto como se eu afundasse cada vez mais e, apesar disso, não me aproximasse do chão, e nem temesse o momento em que este fosse chegar. Não por coragem. Não por bravura. Simplesmente por saber que não há motivo para temer quando este vier. E sei também que não entendo ainda o que significa a ideia que o chão sou eu que determino. Simplesmente sigo, em vertiginosa queda rumo ao chão que eu não sei quando virá.
Sei que o que eu vi era a verdade, e que continuo até agora observando-a e vendo as minhas expectativas caírem por terra diante dela, sem me importar. Sei que o que eu vejo agora é a liberdade, e que não sei o que fazer com ela. Porque eu estive e ainda estou numa caverna. Numa cela de prisão. E os meus olhos se acostumaram de tal forma com a escuridão que eu quase esqueci como era a luz. Mas aconteceu que a porta simplesmente se abriu. As sombras pararam de dançar. Me deram as chaves, e não havia ninguém do lado de fora para me impedir. Eu ainda estou dentro, mas a porta está aberta, e ainda me parece estranha a perspectiva de sair. Porque afinal de contas eu não sei o que existe lá fora, e eu também não sei o que espero que exista do lado de lá. Não sei se espero que seja a verdade mais uma vez. Não sei se espero que seja uma outra espécie de prisão. E eu sei que ainda não estou pronto pra sair para averiguar. Sei que ainda preciso de tempo pra os meus olhos se acostumarem à luz, e sei que ainda preciso permanecer seguro na escuridão da minha caverna.
E apesar disso, sei que estou certo. Sei que sigo agora o meu próprio caminho, e não tenho pressa pra isso. Porque eu sei que não acabou. Porque um lírio murchou e eu o guardei bem guardado onde ele vai durar pra sempre. E porque depois nasceu outro em outro lugar, só meu. Só pra mim. E porque mesmo que também seja efêmero, sei que ainda assim é pra sempre. Porque nada morre. Porque nada nunca acaba definitivamente. Porque a vida é cíclica, e das terras do meu jardim nascerá outro, e nascerão milhares. E porque contrariando todas as expectativas, acabou que não foi esse o final. Que não foi esse o último capítulo de um livro, nem a última cena de um filme qualquer. Acabou que não foi esse o final do texto, nem o final feliz que eu tanto esperava. E sim um ponto de continuação.
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(Continuação)
Sei que o que eu vi era a verdade, e que continuo até agora observando-a e vendo as minhas expectativas caírem por terra diante dela, sem me importar. Sei que o que eu vejo agora é a liberdade, e que não sei o que fazer com ela. Porque eu estive e ainda estou numa caverna. Numa cela de prisão. E os meus olhos se acostumaram de tal forma com a escuridão que eu quase esqueci como era a luz. Mas aconteceu que a porta simplesmente se abriu. As sombras pararam de dançar. Me deram as chaves, e não havia ninguém do lado de fora para me impedir. Eu ainda estou dentro, mas a porta está aberta, e ainda me parece estranha a perspectiva de sair. Porque afinal de contas eu não sei o que existe lá fora, e eu também não sei o que espero que exista do lado de lá. Não sei se espero que seja a verdade mais uma vez. Não sei se espero que seja uma outra espécie de prisão. E eu sei que ainda não estou pronto pra sair para averiguar. Sei que ainda preciso de tempo pra os meus olhos se acostumarem à luz, e sei que ainda preciso permanecer seguro na escuridão da minha caverna.
E apesar disso, sei que estou certo. Sei que sigo agora o meu próprio caminho, e não tenho pressa pra isso. Porque eu sei que não acabou. Porque um lírio murchou e eu o guardei bem guardado onde ele vai durar pra sempre. E porque depois nasceu outro em outro lugar, só meu. Só pra mim. E porque mesmo que também seja efêmero, sei que ainda assim é pra sempre. Porque nada morre. Porque nada nunca acaba definitivamente. Porque a vida é cíclica, e das terras do meu jardim nascerá outro, e nascerão milhares. E porque contrariando todas as expectativas, acabou que não foi esse o final. Que não foi esse o último capítulo de um livro, nem a última cena de um filme qualquer. Acabou que não foi esse o final do texto, nem o final feliz que eu tanto esperava. E sim um ponto de continuação.
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(Continuação)
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Carole King - You've got a friend
When you're down and troubled
And you need a helping hand
And nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights.
And you need a helping hand
And nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
And soon I will be there
To brighten up even your darkest nights.
You just call out my name,
And you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
To see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you have to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.
And you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
To see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you have to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.
If the sky above you
Should turn dark and full of clouds
And that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
And soon I will be knocking upon your door.
You just call out my name,
And you know where ever I am
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you go to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
Should turn dark and full of clouds
And that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
And soon I will be knocking upon your door.
You just call out my name,
And you know where ever I am
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer or fall,
All you go to do is call
And I'll be there, yeah, yeah, yeah
Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
People can be so cold.
They'll hurt you and desert you.
Well they'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.
People can be so cold.
They'll hurt you and desert you.
Well they'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.
You just call out my name,
And you know wherever I am
I'll come running to see you again.
Oh babe, don't you know that,
Winter, spring, summer or fall,
Hey now, all you've go to do is call.
Lord, I'll be there, yes Iwill.
You've got a friend.
You've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
You've got a friend.
And you know wherever I am
I'll come running to see you again.
Oh babe, don't you know that,
Winter, spring, summer or fall,
Hey now, all you've go to do is call.
Lord, I'll be there, yes Iwill.
You've got a friend.
You've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
You've got a friend.
sábado, 9 de junho de 2012
Lírios
Acho que mais uma vez, eu posso dizer que amadureci. Porque o verão foi intenso, e o sol estava forte lá fora. Porque dessa vez a realidade bateu com força, e porque demora também algum tempo pra que a gente aprenda a revidar. Chega o momento em que não tem como fugir, não tem como se esconder, não tem como continuar mentindo pra si mesmo, e em que é necessário lutar para sobreviver. Chega o momento em que simplesmente não cabe mais ser criança. Em que simplesmente é hora de crescer, e encarar toda a miséria que tem na nossa frente, e que não dá mais pra desviar mais o olhar e negar que eu também faço parte dela. Em que é necessário encarar toda a sujeira, hipocrisia e maldade que existe dentro de você, e deixar que ela simplesmente tome conta de você. Porque é uma parte que não dá pra renegar de si próprio. Que não dá expulsar nem repelir. Porque simplesmente é você. E não há nada que se possa fazer quanto à isso.
E tudo pra isso, de um jeito ou de outro sempre acaba se mostrando no Verão. Expondo os meus pontos fracos, me deixando lento e vulnerável á qualquer um, e principalmente de mim. É o momento em que se expõe toda a minha confusão, toda a minha fraqueza, e a minha incapacidade de lidar com os meus próprios problemas. O momento em que eu costumava sempre me esconder e deixar o sol bater em mim. Inerte à minha própria vontade, com medo dos meus próprios punhos, dos próprios pensamentos que eu não queria ter de pensar, só esperando e rezando para que passasse. Até que viesse uma chuva refrescar meus dias.Mas dessa vez eu fiz com que fosse diferente. Dessa vez eu lutei. Contra os demônios na minha própria cabeça e comigo mesmo. Caminhei no lado selvagem, como o Lou Reed diria, e mais do que isso: corri por ele. Não como quem anseia por chegar ao fim, mas como quem não teme velocidade do vento que bate à testa. Ou como quem teme, e tem coragem ainda assim de enfrentá-lo da mesma forma. E esse é o meu maior mérito que eu consegui conquistar nos últimos tempos. Coragem. Para lidar com os meus maiores medos. Para lidar com o desconhecido, e a incerteza que o tempo me trouxe. Para lutar contra a correria incansável que eu nunca pedi, e contra a corrente que eu nunca fui a favor. Coragem para lutar com todos á minha volta, e o mais difícil: Coragem para lutar comigo mesmo.
O verão nunca queimou tão forte, e eu tenho certeza de que foi só o inicio. Porque agora eu sei do desafio que eu tenho á minha frente, e sei o qual imensamente mais difícil vai ser encarar ele. Porque por mais que eu tenha tomado essa luta para mim, a verdade é que eu à roubei mesmo de outra pessoa. Porque eu estava muito acostumado á viver na minha própria cúpula, onde tudo era perfeito, e acabei me esquecendo da crueldade que existe aí fora. Acabei me esquecendo de como as ruas de Salvador são vermelhas, e de quão sangrenta a realidade pode ser. E acabou que quem me lembrou disso foi uma velha amiga. Tão velha quanto o tempo pode se lembrar, e mais corajosa do que qualquer um que eu consiga me lembrar. Foi nas palavras dela que eu vi novamente isso, e foi graças a ela que eu consegui entender toda essa confusão que havia dentro das minhas certezas. Foi dali que eu tirei a minha força, que só estava escondida nos dedos, esse tempo todo. A essa amiga agora eu tenho que agradecer, de todo o coração. Porque se hoje eu estou escrevendo isso, é graças á você, assim como foi graças a você também que há pouco mais de um ano atrás eu pude escrever o que escrevi, e te mandar junto com flores, e um cartão postal.
Só que acontece que chegou a hora em que isso só não se tornou o bastante. Chegou o momento em que eu tenho que criar novamente as minhas próprias asas, e encontrar novamente o meu próprio caminho. Abraçar a minha própria luta, e vencê-la eu mesmo. E tirar dessa vez força das minhas próprias palavras, da minha própria voz e, sobretudo, dos meus atos. Seja pra me perder, seja pra me encontrar. Eu sei que agora eu preciso abrir a minha própria trilha, e que eu preciso fazer isso sozinho. Do meu próprio jeito, e sem seguir os passos de ninguém.
Eu sei que daqui pra frente tudo vai ser diferente. Sei que mais uma vez tudo vai mudar, e eu estou pronto para isso. Porque afinal de contas, o verão acabou. E mesmo que isso não signifique que é hora de parar de lutar, porque nunca é hora disso, no mínimo prova que agora vai ser diferente. Porque agora eu entendi o que vinha me faltando esse tempo todo. Que eu passei tanto tempo me preocupando com a realidade que por mais que um segundo eu me esqueci. Que é verde e tem pernas que nem gafanhoto, e que salta fora se a gente não souber como carregar: Esperança.
Porque em cada chuva, em cada orvalho eu consigo sentir. Porque é substancial na atmosfera, e ainda mais dentro de nós mesmos. Que é púrpura e a gente não vê, mas está ali, e nós sabemos disso. Porque a gente pode se perder, quantas vezes que sejam, mas não podemos nunca perder a esperança, como eu quase perdi. E é necessário, mais uma vez, coragem para mantê-la acesa em tempos tão difíceis. E é necessária força para mante-la viva apesar de tudo, e olhar pra frente e ver tudo de ruim que existe por ai, e ainda assim, num cantinho isolado, encontrar um motivo pra sorrir. Encontrar um motivo pelo qual continuar a lutar, e pelo qual continuar a viver. Encontrar um romance pelo qual ainda se possa sonhar, ou os amigos que sonha em ver novamente. É isso, afinal. É o amor, e toda a sua circunspectância que só ele tem. É a flor de Guernica. É o nascimento no meio de uma guerra. É uma flor no meio do nada. E principalmente, são Lírios numa caixa de sapatos.
E mesmo que eu tenha deixado essa caixa nas mãos de outro alguém esse tempo inteiro, com tudo de mais valioso que eu já tive na vida, e uma mensagem que eu fiz de tudo para que não fosse nunca esquecida, eu não posso nunca esquecer da mensagem que chegou de volta. Que eu não guardo no meu piano, nem em caixa alguma ou em lugar algum, mas dentro de mim mesmo. Que flui nas minhas veias e me dá novamente força para encarar o desafio que eu tenho agora na minha frente. Sem fraquejar. Sem demonstrar medo. Porque a verdade é que ás vezes a maior coragem que nós temos que ter, é para ter esperança. Para ver o bem e o mal de perto, e andar no meio deles. Sem tropeçar, sem escorregar. Sem esquecer do que nos trouxe até aqui, nem de tudo o que a partir de agora temos que enfrentar. Porque a partir de agora é que eu sigo novamente com o meu próprio caminho, e endireito a minha trilha para fazer a curva. Para seguir, e ajustar a luneta para o horizonte. Para o mar. Para as luzes da cidade que ainda não consigo enxergar daqui. Para o lugar que mais me fez falta, durante todo esse tempo, e que eu ainda não estou preparado para voltar. Mas que estarei, e que quando voltar, vou fazer com que as más línguas se calem, mesmo sendo uma delas minha também. Vou fazer com que se veja que o amor de verdade existe, sim, e não há nada que se possa fazer quanto à isso. Porque está dentro de nós. Porque vive em nossa circulação sanguínea, e nos mantém vivos, e com força para lutar. Vou fazer com que se veja que ainda há esperança, que ainda há felicidade, e amor debaixo do travesseiro. Mas acima de tudo, vou fazer com que se veja que ainda há flores por perto. E que ninguém pode tirá-las daqui, e que ninguém é capaz de feri-las. Porque são belas, e porque são meus. E acima de tudo, porque são Lírios.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Ozônio e água da chuva.
"E então ele acordou. Olhou o espaço ao dele e observou cuidadosamente o cenário. Sentiu o ar ao seu redor, e colocou um CD para tocar no rádio. Ouviu durante algum tempo, depois se levantou e foi trocar de roupa. Lavou o rosto, escovou os dentes. Então voltou para o seu quarto cometeu o assassinato silenciosamente. Viu o sangue escorrer e pendurar-se na navalha até pingar, como pingava a goteira no teto naquele dia chuvoso de pré-inverno. Sempre gostara de dias como aquele. Especialmente do cheiro que o ozônio espalhava pela atmosfera quando as gotas da chuva entravam em contato com a terra no chão."
"Sentiu mais um pouco o morno que o sangue deixava nos seus braços. Sentiu o vento. Observou o cômodo mais uma vez, e olhou de relance para o cadáver no chão. O quarto permanecia calmo, assim como na hora em que acordara, inerte ao que havia acabado de acontecer. Ouviu novamente a goteira no teto, e sentiu mais uma vez o cheiro agradável que o ozônio proporcionava à atmosfera. Inspirou demoradamente, prendeu o ar durante alguns segundos, e então soltou, com um suspiro longo e arrebatador, roubando todos os gases da atmosfera para si por entre seus poros."
"E então de súbito ele se levantou. Guardou o cadáver no armário e saiu pela porta do quarto para se sentar na sala com seus outros familiares, enquanto lia o jornal e esperava pelo almoço: já havia tomado o seu café da manhã."
"Sentiu mais um pouco o morno que o sangue deixava nos seus braços. Sentiu o vento. Observou o cômodo mais uma vez, e olhou de relance para o cadáver no chão. O quarto permanecia calmo, assim como na hora em que acordara, inerte ao que havia acabado de acontecer. Ouviu novamente a goteira no teto, e sentiu mais uma vez o cheiro agradável que o ozônio proporcionava à atmosfera. Inspirou demoradamente, prendeu o ar durante alguns segundos, e então soltou, com um suspiro longo e arrebatador, roubando todos os gases da atmosfera para si por entre seus poros."
"E então de súbito ele se levantou. Guardou o cadáver no armário e saiu pela porta do quarto para se sentar na sala com seus outros familiares, enquanto lia o jornal e esperava pelo almoço: já havia tomado o seu café da manhã."
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